Joana com Sapo On The Hop

Já dizia o Marco Paulo "Oh Joana , pensar que estivemos tão perto!" E estamos! Perto dos acontecimentos, perto dos eventos. SAPO e Joana Alves em missão de cobrir eventos por esse país fora. Fica On the Hop

Terça-feira, 01 de Abril de 2014

Sentados mas pouco quietos

 

O Festival Para Gente Sentada (FGS) com lugar em Santa Maria da Feira, apresentou nesta sua 10ª edição um cartaz com três nomes portugueses e os londrinos The Veils. 

Pelo facto do velhinho Cine-teatro António Lamoso estar em obras, o festival realizou-se no Europarque no Domingo. A única coisa que poderia ter parado o público era a chuva que se fazia sentir lá fora, mas mesmo assim, a sala quase encheu. 

 

 

A abrir o festival, com o atraso clínico do costume, os You Can't Win Charlie brown trouxeram o fresquinho "Diffraction / Refraction" à gente do norte. 

Se o novo "Be my world" é bom de ouvir em CD, melhor fica ao vivo, com os sons electrónicos e com o xilofone do David Santos. Depois foi viajar entre os três albuns da banda.  

 Foi uma tortura manter-nos sentados a ouvir músicas como "Over the Sun / under the water" ou "I've been lost", mas nada impediu que se cantasse e se fizesse a dança possível nas cadeiras. (Este público é muito tímido para se levantar). 

 

Logo a seguir, The Veils, que confessaram já ter saudades de tocar em Portugal. Em tour mundial, passaram pela Feira para com bastante energia e uma submissão muito comprometedora com a música, nos levar numa viagem pelo mundo do vocalista Finn Andrews. 

 

Tínhamos agora um intervalo rápido para voltar ao centro da cidade, jantar qualquer coisinha à pressa e voltar para mais dois concertos. 

Walter Benjamin recomeçou o festival para fazer do auditorio um sala de estar, onde parecia estar a cantar para amigos, contando a hisótira de cada canção. A saltar ente a guitarra e o piano, ouvimos o melhor do folk deste português a viver em Londres. 

 

A encerrar o festival a fadista de Barcelos, Gisela João. Numa palavra: irreverente. Eu que estou habituada a ouvir fado na Adega Rio Douro, fiquei surpreendida por ver uma fadista com um vestido azul , salto alto, sem xailes nem roupa escura. Faltou o bolinho de bacalhau e o vinho verde.

E, sentada como os espectadores, Gisela deu inicio ao fim do festival. 

Colheita nesta nova geração de fadistas, trouxe-nos temas bem animados como "Bailarico Saloio", Malhões e Vira" ou até mesmo a canção escrita por Capicua, "Mariquinhas", sobre como seria a Casa da Mariquinhas nos tempos de hoje. 

Sempre muito comunicativa, confessou-nos que uma amiga quando soube que ela vinha tocar ao festival disse: "Festival para gente sentada? isso deve ser uma seca..." Risos. De chato este festival tem pouco. E continou a trazer emoção aquela sala, para pouco depois terminar o concerto.

Depois do aplauso sentido e de pé, voltou para nos surpreender com os primeiros versos de "Quando era pequenina" cantada a capella. "apeteceu-me" disse ela no fim. 

Depois, voltou a cantar "Voltaste" e "Antigamente", para ficar a mensagem da última canção: "Não é fadista quem quer, mas sim quem nasceu fadista!"

 

Voltamos para casa de coração cheio e a esperar que venham mais dez anos de Festival Para Gente Sentada, e, que voltem os tempos em que o festival era mais do que um dia. 

 

 

publicado por Joana - On the Hop às 18:17

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